Os critérios de seleção e permanência de periódicos LILACS foram atualizados para refletir os avanços da Ciência Aberta e fortalecer a qualidade editorial. A nova versão do documento, resultado de um processo participativo com especialistas da América Latina e Caribe, estabelece diretrizes sobre indexação, diversidade, ética editorial, uso de inteligência artificial e combate a periódicos predatórios. As novas regras entram em vigor em abril de 2025, com período de transição até 2026.
A qualidade, transparência e integridade da produção científica, aliadas à representatividade da identidade, das características etnoculturais e do contexto de saúde da América Latina e do Caribe, são princípios fundamentais para o desenvolvimento da coleção da base de dados LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde).
Os critérios de seleção e permanência de periódicos na LILACS refletem esses valores e incorporam avanços nas práticas editoriais e na comunicação científica promovidos pela Ciência Aberta. Essa atualização contínua é essencial para garantir a relevância e credibilidade à coleção e ocorre com a participação ativa dos diversos atores envolvidos na gestão da LILACS, incluindo coordenadores nacionais, editores, bibliotecários e especialistas da área.
A nova versão dos critérios dá continuidade às atualizações implementadas em anos anteriores (2021 e 2020) e reforça o compromisso da LILACS com a excelência editorial.
Processo de atualização dos critérios
O processo de revisão e atualização foi coordenado pela equipe de Fontes de Informação Referenciais da BIREME e seguiu as seguintes etapas:
- Análise preliminar e revisão técnica: Atualização com base nas discussões da série “Boas práticas nos processos editoriais para revistas científicas LILACS” e contribuições dos membros do Comitê de Avaliação e Seleção de Periódicos LILACS Brasil;
- Discussão com especialistas: Debate com membros do Comitê durante a reunião de outubro de 2024.
- Harmonização regional: Revisão dos critérios de seleção e permanência de periódicos LILACS para América Latina e Caribe em português, tradução para o espanhol e harmonização com os critérios específicos do Brasil.
- Consulta pública: Em novembro de 2024, 34 especialistas de países como Argentina, Brasil, Colômbia, Cuba, El Salvador, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela contribuíram com sugestões para a versão final.
A nova versão do documento detalha aspectos como suporte digital, indexações, fluxos editoriais e práticas de diversidade e inclusão. Os novos critérios entrarão em vigor em 1º de abril de 2025 e serão adotados como referência para a avaliação de periódicos a partir de 2026, garantindo um período de transição para adaptação.
Principais atualizações
- Detalhamento do escopo temático – As áreas tradicionais das Ciências da Saúde foram detalhadas com suas especialidades. Também houve ampliação das áreas interdisciplinares, incluindo Ciência da Informação e Comunicação Social.
- Reforço no compromisso com a Ciência Aberta – Torna-se obrigatória a adoção da licença Creative Commons (preferencialmente CC-BY) e a indexação no DOAJ (Directory of Open Access Journals), Google Acadêmico e Sherpa Romeo.
- Critérios mais rígidos para avaliação de mérito científico – Pelo menos 50% dos artigos publicados devem ser originais e avaliados por pares acadêmicos externos à instituição editora.
- Inclusão de línguas indígenas – O documento de 2025 incentiva a publicação de artigos em aimará, guarani e quíchua, desde que acompanhados de versão em um dos idiomas oficiais (português, espanhol, inglês ou francês).
- Incentivo a estudos sobre saúde pública e mudanças climáticas – Recomenda-se a publicação de pesquisas sobre saúde indígena, populações vulneráveis, doenças negligenciadas e impactos das mudanças climáticas na saúde.
- Foco nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 3 – LILACS incentiva estudos que contribuam para o ODS 3, abordando temas como saúde materno-infantil, doenças transmissíveis, saúde mental e acesso universal à saúde.
- Combate a periódicos predatórios – O documento apresenta diretrizes detalhadas para identificar e desqualificar publicações de baixa qualidade editorial e científica.
- Boas práticas editoriais – Os periódicos devem estabelecer políticas claras sobre autoria e contribuições (ICMJE, CRediT e COPE), definir procedimentos para combate à má conduta científica e implementar medidas para compartilhamento de dados e reprodutibilidade dos resultados.
- Uso de Inteligência Artificial e revisão pós-publicação – Foram incluídas diretrizes para o uso ético de IA e Large Language Models (LLMs) na produção científica. Além disso, os periódicos devem estabelecer procedimentos claros para revisões e correções pós-publicação, incluindo comentários e retratações.
- Critérios revisados para diversidade e inclusão – A política editorial deve contemplar ações afirmativas de diversidade, equidade e inclusão (DEIA), seguindo diretrizes da C4DISC (Coalition for Diversity and Inclusion in Scholarly Communications).
- Aprimoramento da normalização e metadados – Exigência de identificação padronizada dos autores (ORCID), instituições (Research Organization Registry) e DOI obrigatório para cada artigo.
Adaptação dos critérios para o Brasil
Os critérios regionais da LILACS estabelecem requisitos mínimos para indexação, permitindo que cada país os adapte conforme sua realidade e adote regras mais restritivas, se necessário.
No Brasil, os critérios foram ajustados para atender às necessidades da produção científica nacional, incluindo:
- Exigência de mínimo de 60% de artigos originais por fascículo.
- Avaliação mais detalhada do impacto dos periódicos na área da saúde pública.
- Necessidade de periodicidade mínima quadrimestral, com preferência por publicação contínua.
A LILACS recomenda que os periódicos revisem seus processos editoriais e se preparem para as novas exigências. A versão completa dos critérios estará disponível no site oficial da base de dados LILACS.