Boletim BIREME n. 96

COVID-19 cinco anos. A contribuição da BIREME

Em março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a pandemia de COVID-19, quando a BIREME/OPAS/OMS apoiou os países a darem resposta à crise sanitária global, com ações estratégicas voltadas à promoção do acesso equitativo à informação de qualidade e de evidências científicas em saúde.

Como Centro Especializado da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em informação científica e técnica, a BIREME contribuiu para superar o desafio por meio do acesso e disseminação de informação científica de qualidade,  desenvolvimento de bases de dados, plataformas digitais, vocabulários estruturados e ferramentas de apoio à tomada de decisão, com destaque para o enfrentamento da infodemia, ou seja, a superabundância de informações, muitas vezes imprecisas, que dificultam o acesso ao conhecimento confiável.

Sobre o papel da BIREME durante a pandemia, o diretor João Paulo Souza destacou: “A pandemia de COVID-19 reafirmou o papel vital da informação científica e técnica na resposta às emergências sanitárias. A atuação da BIREME nesse período demonstrou nosso compromisso com a ciência, a cooperação e o acesso equitativo à informação em saúde. Foi um tempo difícil, mas a BIREME o atravessou com muita força e relevância, consolidando também um modelo de resposta rápida às crises sanitárias — que, no nosso campo de atuação, significa combater a desinformação e oferecer informação de qualidade, com agilidade, para a ação em saúde”, concluiu o diretor.

Mesmo no período de isolamento a operação da BIREME foi mantida em coordenação com a OPAS/OMS e inclusive por seu histórico de atuação virtual. Foram implementadas ações contingenciais e de comunicação para a proteção do pessoal que atuou de forma efetiva, em equipe e atendendo às necessidades dos apoiadores e usuários da BIREME. Todos eram informados dos principais fatos e acontecimentos sobre as atividades do programa de cooperação técnica e da gestão do Centro.

As fontes de informação sobre prevenção, higienização e vacinação eram compartilhadas em bom tempo, temas à época de grande importância não somente ao pessoal no Centro como para toda a população no Brasil. “Foi difícil acompanhar os índices crescentes de pessoas com infecção por COVID-19 incluindo os colegas em toda a Organização, os afastamentos, internações e processos de recuperação com as sequelas já bem conhecidas. Uma situação complexa, mas marcada também por inúmeras superações”, afirmou Silvia de Valentin, Administradora da BIREME.

2020: ação rápida e estratégica desde o início da pandemia

Logo nos primeiros meses de 2020, a BIREME atualizou e aplicou a metodologia das Vitrines do Conhecimento para organizar informações selecionadas e baseadas em evidência sobre a COVID-19. As vitrines temáticas abordaram desde o panorama geral da doença até enfoques específicos, como Enfermagem e Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa (MTCI).

Em abril, foi lançada a interface de busca da WHO COVID-19 Research Database, com tecnologia desenvolvida pela BIREME, com base no Global Index Medicus (GIM), plataforma online da OMS com acesso às evidências em saúde dos países de baixa e média renda das Regiões África, Américas, Mediterrâneo Oriental, Pacífico Ocidental e Sudoeste Asiático, e que atualmente reúne 2,5 milhões de referências bibliográficas. A base foi atualizada diariamente e reuniu mais de 430 mil documentos científicos sobre o SARS-CoV-2, acessados em mais de 200 países.

Ainda em 2020, a BIREME adaptou a metodologia de Mapas de Evidência para o contexto da pandemia, organizando mais de 40 revisões sistemáticas sobre o uso de práticas integrativas no manejo de sintomas associados à COVID-19. O aplicativo e-BlueInfo, voltado a profissionais de saúde da atenção primária, passou a incluir conteúdos sobre COVID-19 no Brasil, Peru, Guatemala e El Salvador, países participantes do aplicativo, que teve aumento de mais de 100% em visitas e pageviews em comparação com 2019. A BIREME também criou a base PIE – Política Informada por Evidências, reunindo estudos e sínteses que apoiam decisões em saúde pública, muitos deles focados na pandemia.

2021: expansão das fontes e vocabulários científicos

Em 2021, foi publicada a nova edição do vocabulário DeCS/MeSH, com a inclusão de 287 novos descritores relacionados à COVID-19, como “SARS-CoV-2”, “Vacinas contra COVID-19”, “Distanciamento Social” e “Teletrabalho”. Essa atualização reforçou o papel do DeCS como terminologia multilíngue essencial para indexação e recuperação de conteúdos científicos em português, espanhol e inglês.

A BIREME também impulsionou a Rede de Referencistas, que gerou filtros de busca especializados em temas como reinfecção, reabilitação e vacinas. Ao todo, o repositório de estratégias de busca da BVS passou a contar com 530 filtros, sendo 31 específicos para a COVID-19. O crescimento de acessos a plataformas como a BVS, GIM e a Base de Dados Regional de Informes de Avaliação de Tecnologia em Saúde nas Américas (BRISA) refletiu a crescente demanda por evidências confiáveis em um cenário de incertezas científicas.

Desde 2022: reconhecimento internacional e consolidação

A contribuição da BIREME à WHO COVID-19 Research Database foi reconhecida pela OMS como fundamental para o sucesso da base. A cientista-chefe da Organização, Soumya Swaminathan, destacou o impacto da disponibilização multilíngue da literatura científica reunida na base, que já havia sido acessada por mais de 1,6 milhão de usuários até dezembro de 2021.

A comunicação institucional da BIREME também foi intensificada com atualizações regulares por meio do site, redes sociais, intranet e do Boletim BIREME, promovendo não apenas produtos próprios, mas também materiais da OPAS/OMS sobre a pandemia, cursos do Campus Virtual de Saúde Pública (CVSP) e links para recursos confiáveis.

Informação de qualidade como resposta à infodemia

Bases de dados robustas, filtros temáticos e alcance internacional marcaram o papel da BIREME na crise da desinformação durante a pandemia. “Informação de qualidade é um fator crítico no combate à infodemia, e é aí que reside nossa contribuição”, destacou Diego González, Diretor da BIREME entre os anos de 2016 e 2021. Com produtos, serviços e indicadores de impacto, a BIREME consolidou seu papel na promoção do acesso à informação confiável durante a emergência sanitária global. Veja alguns exemplos no quadro a seguir.

A resposta da BIREME em números:

+430 mil documentos na WHO COVID-19 Research Database
+530 filtros temáticos no repositório da BVS
+287 descritores sobre COVID-19 no DeCS/MeSH 2021
+4 Vitrines do Conhecimento publicadas sobre COVID-19

Durante os últimos cinco anos, a BIREME reafirmou sua missão de democratizar o acesso à informação científica e técnica em saúde, especialmente em contextos de crise. Suas iniciativas durante a pandemia da COVID-19 refletem o compromisso contínuo com a ciência aberta, a equidade no acesso à informação e ao conhecimento, e o fortalecimento dos sistemas de saúde nos países da América Latina e Caribe. Tais ações foram conduzidas em sintonia com toda a OPAS/OMS, com as diretrizes técnicas e administrativas no contexto da pandemia, e alinhadas ao Departamento de Evidência e Inteligência para Ação em Saúde, ao qual a BIREME está institucionalmente vinculada.

A pedido do Boletim BIREME, a equipe do Centro relembrou o impacto da pandemia sobre suas operações regulares, marcadas por desafios inéditos e pela necessidade de respostas ágeis e inovadoras. Profissionais da informação como Elisabeth Biruel, Joanita Barros, Juliana Sousa, Marilda Perez, Rosemeire Pinto e Sueli Suga compartilharam vivências daquele período, ilustrando o comprometimento coletivo com a missão institucional da BIREME. Seus relatos, reunidos na página em anexo, reforçam a importância da mediação qualificada da informação e do apoio direto a profissionais e instituições que estiveram na linha de frente da resposta à crise.

📄 Clique aqui e acesse os depoimentos em detalhe na página especial “Nos bastidores da resposta informacional”.

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